A Santa Paciência
terça-feira, 4 de novembro de 2008

O grande dia dos quatro anos se aproxima e pela primeira vez o Rafael fica empolgado com a proximidade do aniversário. Está tentando contar os dias, pergunta detalhes da festinha, diz que ele, o Felipe e o Arthur (amigos da escola)fazem aniversário com ele (não sei se no mesmo dia ou mesmo mês), comenta que que vai comer bolo, ganhar o lava-rápido que quer desde o início do ano... Uma delícia.
Eu lembro bem que quando era pequena fazia a mesma coisa. Contava os dias, contava para quem encontrasse que meu aniversário estava chegando, idealizava, ficava ansiosa... coisas gostosas da infãncia.
Meu pitoco chega aos quatro anos com a paciência mais curta do que um ano atrás. Não sabe esperar muito bem quando quer alguma coisa, insiste num assunto se for importante para ele, fica bravo quando é contrariado sem nos dar a chance de dialogar.
Nas últimas (várias) semanas, tem pedido para se trocar sozinho, ou tira a roupa da escola quando chega e coloca a roupa "de ficar em casa". O problema é que quase todas as vezes ele perde a paciência com a blusa que está com as mangas dobradas, com as meias que estão do avesso, com a calça que fica com a parte da frente para o lado de trás. Dá uns minichiliques, reclama, reclama, diz que não quer mais se vestir, aquela coisa. O mesmo acontece quando tenta fazer qualquer outra coisa e não consegue nas primeiras tentativas. Eu, nessas oportunidade, aproveito para exercitar nele a paciência, uma qualidade que eu mesma não tenho em grande quantidade, confesso. Faço cara de monja zen budista e digo (para ele e para mim mesma) que sem paciência a gente não consegue nada, que é preciso tentar várias vezes até conseguir o que se quer, que quando a cabeça esquenta fica mais difícil conseguir qualquer coisa que seja.
Essa cena vinha se repetindo há várias semanas.
Hoje vi que minha sementinha está brotando. Ele foi trocar de roupa e disse: "Não vou ficar bravo nem reclamar". Disse isso mais para si mesmo do que para mim, e eu achei o máximo. Trocou a roupa, dobrou tudo ("daquele" jeito), vestiu até a meia, que dava um capítulo à parte todos os dias. Coisa linda. É muito bom ver que o que a gente planta realmente colhe, por mais que demore, por mais que pareça que a sementinha não vingará. Certeza renovada de que estou criando um homem bom para o mundo, lição reforçada de que o amor e o diálogo são sempre o melhor caminho.

Ai, meu querido, você é, sem dúvida, o melhor mestre que a vida poderia me dar.

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Escrito por Carol às 15:01



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