O melhor que há em mim
quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Eu me culpo por não eternizar como deveria alguns momentos. Não tiro tantas fotos quanto poderia, não faço muitas filmagens e ainda escrevo pouco sobre suas descobertas e gracinhas.
Mas hoje, meu filho, a caminho da escola, quase não consegui manter os olhos no trânsito. Você estava com o uniforme azul escuro da escola, a toca amarela do Mickey (e reclamou quando saímos do prédio e você viu que o dia estava nublado, com cara de chuva. Você sempre diz que gosta mais do sol, e comemora quando vê o céu aberto) e sentado em seu cadeirão do carro (que já está ficando pequeno). Eu estava conversando com você, como sempre faço e olhei rapidamente para trás.
Você estava com uma carinha linda, um sorriso superlindo, meio de lado, meio contido, os olhos de cílios compridos olhando para mim, tranquilos. Foi um sorriso de satisfação, tenho certeza. Umm sorriso de contentamento, de "que boa a minha vidinha é". Fiquei chateada por não poder tirar uma foto de sua carinha naquele momento. Mas talvez uma foto naquele momento desfizesse o encantamento.

Fui até a escola querendo ver mais daquele sorriso. Olhava para trás quando dava, e lá estavam seus olhinhos grudados em mim. Ai, meu filho, aquela "foto" foi diretamente para o meu coração. Com certeza vai ficar registrada lá enquanto eu existir, e com certeza vai ficar gravada em minha alma.

Obrigada por ser meu filho, Rafael. Nunca conseguirei agradecer o suficiente. Obrigada pela chance que você me dá todos os dias de ser uma pessoa melhor, de dar o meu melhor.

"Você está dentro de mim, onde o amor faz divisa com a paixão, um oásis no sertão, meu tesouro tão sem fim, o que guardo de maior do melhor que há em mim."

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Escrito por Carol às 03:19


Seu mundo e nada mais
quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Fael anda muito engraçado.
Conversa normalmente, falamos sobre todas as coisas que sua cabecinha fértil cria ou questiona. Mas há alguns dias percebi que, numa acusação, ele usa aquele tom básico de acusação que as crianças costumam usar, principalmente quando falam umas das outras.

– Mãe, hoje a Luiza molhou o cabeeeelo!
– Mãe, hoje o Juan fez malcriaçãããõ!
– Mãe, o Cauã não quis emprestar o brinqueeedo!

Sabe como é? Aquela prolongada no final de uma palavra para indicar acusação? Ai, antes (antes de ter filho) eu achava isso meio irritante, mas agora sinto vontade de rir quando ele vem me contando essas coisas. Explico que ele não deve ser dedo-duro se o problema ou situação não o prejudicar, que ele deve conversar com os amiguinhos e tentar explicar o que é certo, mas o tom de acusação está presente nessas "revelações" que ele me faz diariamente.

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Escrito por Carol às 02:55


Engraçadinho
segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Estas duas situações aconteceram há vários meses, mas escrevi para não esquecer:

– Mãe, me dá moeda?

Eu, ocupada, sem querer que ele brincasse com moedas sem supervisão adequada respondi: – Não tenho, gastei tudo ontem.

– Então me dá um cheque. (!!!)

*****

Eu estava tendo uma conversa séria com o Rafael porque ele tinha sido malcriado, e ele ficava sorrindo.
- Filho, eu estou falando sério, não é para rir.
- Mas meu sorriso não consegue parar de sorrir.

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Escrito por Carol às 02:06


Parabéns, meu amor
quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Hoje é o dia 6, filho. O seu dia 6. O dia do seu quarto aniversário.
Que felicidade poder comemorar essa data com você mais um ano.
Que você tenha muita saúde, paz e amor na sua vida. Que todos os seus sonhos sejam realizados, que todas as suas decepções se transformem em força para continuar olhando a vida com os olhos que você tem hoje: curiosos e esperançosos.
Que Deus conserve em você esse coração bom, essa alegria de viver as coisas simples.
Eu te amo tanto que não dá para explicar.
Seja sempre muito feliz, meu querido, e aproveite este dia, mesmo com essa conjuntivite chatinha.

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Escrito por Carol às 11:00


A Santa Paciência
terça-feira, 4 de novembro de 2008

O grande dia dos quatro anos se aproxima e pela primeira vez o Rafael fica empolgado com a proximidade do aniversário. Está tentando contar os dias, pergunta detalhes da festinha, diz que ele, o Felipe e o Arthur (amigos da escola)fazem aniversário com ele (não sei se no mesmo dia ou mesmo mês), comenta que que vai comer bolo, ganhar o lava-rápido que quer desde o início do ano... Uma delícia.
Eu lembro bem que quando era pequena fazia a mesma coisa. Contava os dias, contava para quem encontrasse que meu aniversário estava chegando, idealizava, ficava ansiosa... coisas gostosas da infãncia.
Meu pitoco chega aos quatro anos com a paciência mais curta do que um ano atrás. Não sabe esperar muito bem quando quer alguma coisa, insiste num assunto se for importante para ele, fica bravo quando é contrariado sem nos dar a chance de dialogar.
Nas últimas (várias) semanas, tem pedido para se trocar sozinho, ou tira a roupa da escola quando chega e coloca a roupa "de ficar em casa". O problema é que quase todas as vezes ele perde a paciência com a blusa que está com as mangas dobradas, com as meias que estão do avesso, com a calça que fica com a parte da frente para o lado de trás. Dá uns minichiliques, reclama, reclama, diz que não quer mais se vestir, aquela coisa. O mesmo acontece quando tenta fazer qualquer outra coisa e não consegue nas primeiras tentativas. Eu, nessas oportunidade, aproveito para exercitar nele a paciência, uma qualidade que eu mesma não tenho em grande quantidade, confesso. Faço cara de monja zen budista e digo (para ele e para mim mesma) que sem paciência a gente não consegue nada, que é preciso tentar várias vezes até conseguir o que se quer, que quando a cabeça esquenta fica mais difícil conseguir qualquer coisa que seja.
Essa cena vinha se repetindo há várias semanas.
Hoje vi que minha sementinha está brotando. Ele foi trocar de roupa e disse: "Não vou ficar bravo nem reclamar". Disse isso mais para si mesmo do que para mim, e eu achei o máximo. Trocou a roupa, dobrou tudo ("daquele" jeito), vestiu até a meia, que dava um capítulo à parte todos os dias. Coisa linda. É muito bom ver que o que a gente planta realmente colhe, por mais que demore, por mais que pareça que a sementinha não vingará. Certeza renovada de que estou criando um homem bom para o mundo, lição reforçada de que o amor e o diálogo são sempre o melhor caminho.

Ai, meu querido, você é, sem dúvida, o melhor mestre que a vida poderia me dar.

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Escrito por Carol às 15:01



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